O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) contestou nesta terça-feira (9) informações do balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) divulgadas pela ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff. De acordo com a ministra, entre os anos de 2007 e 2009 foram investidos R$ 137 bilhões pelo governo na forma de financiamento habitacional.
Em seu pronunciamento, que durou duas horas, Tasso Jereissati explicou que, ao consultar fontes disponíveis na internet e no Relatório do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, no Relatório de Gestão do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e na Instrução Normativa 22 do Ministério das Cidades, o PSDB apurou que boa parte dos recursos citados pela ministra foram utilizados para a aquisição de imóveis usados e não geraram renda, não constituindo, portanto, investimentos do PAC.
- O total de financiamento de empréstimo entre 2007 e 2009 foi de R$ 111 bilhões, valor inferior aos R$ 137 bilhões no balanço do PAC, do qual ela [Dilma] é gerente – afirmou.
Tasso Jereissati iniciou seu discurso citando artigo de Fernando Henrique Cardoso publicado no último fim de semana na imprensa, em que o ex-presidente responde à estratégia do atual governo em transformar as próximas eleições presidenciais em uma consulta plebiscitária sobre os avanços havidos nas duas administrações.
- Se for para colocar essa discussão, não há menor receio nossa parte. Temos plena consciência que oito anos de governo FHC fizeram grande revolução que possibilitou que o Brasil entrasse em um período de crescimento econômico que estamos vivendo hoje – afirmou.
Tasso Jereissati disse ainda que o governo Lula procura construir uma candidatura falsa em torno de Dilma Rousseff, “toda ela montada no marketing, cheia de lacinhos, mas sem consistência alguma porque o produto é fraco”.
- Dilma não significa em termos de liderança coisa alguma nesse país, não tem história, não tem o papel da liderança. Constrói-se em cima de números uma liderança que não é liderança e se apóia apenas sobrevivendo na liderança de um terceiro – afirmou.
O senador disse ainda que Dilma Rousseff, “dentro de seu processo de propaganda política que o Brasil todo vê, feita praticamente há um ano, agora assume um grau de exuberância que só o tribunal eleitoral não vê”.
- Em cima disso, vai-se construindo uma série de números maquiados. Cria-se imagem de eficiência para quem não é conhecido e não tem imagem de nada, com sistema mercadológico feito por marqueteiros competentes no sentido de dar à falsa líder imagem de falsa competência – afirmou.
Tasso Jereissati disse ser a favor de uma política que incentive o financiamento habitacional, mas que não admite o debate com o emprego de “números constantemente maquiados em cima de uma campanha eleitoral arquitetada e bancada por dinheiro público da máquina federal, querendo criar imagem eficiente de quem não tem”.
- Sem mentiras, sem maquiagem, vamos discutir com seriedade qualquer comparação que venha a ser feita, sem nenhum tipo de distorção. Essa coisa de sistematicamente mentir não condiz com uma pessoa que é candidata à presidência da República. Dilma é uma liderança falsa, de plástico, de silicone – criticou.
Apartes
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que apontou a “manipulação desonesta de números e informações”, o governo atual apropria-se de obras de administrações anteriores, “é um governo de fantasia, de ilusão, de marketing“. Em sua avaliação, o PAC é “uma sigla para a publicidade oficial do governo e se transformou no paraíso das obras superfaturadas”.
Para o senador Papaléo Paes (PSDB-AP), Dilma Rousseff é uma “candidata fabricada, uma marionete que está aceitando de tudo”.
Já o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) disse que “Lula tem usado e abusado da paciência dos brasileiros, sobretudo dos mais atentos e os que acompanham o processo partidário no Brasil”.
- Ele [Lula] desmoraliza o TCU [Tribunal de Contas da União], quando o Congresso determina que obras analisadas pela Comissão de Orçamento não podem ser liberadas e o presidente veta exatamente isso – afirmou.
Jarbas Vasconcelos disse ainda que “o Congresso se encontra de joelhos” diante do comando de Lula, “que tem levado ao ridículo a mais alta corte do Brasil”. Segundo ele, Lula assumiu um país “equilibrado” e a luta contra a inflação foi um “processo” que teve início em governos anteriores.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), por sua vez, disse que Lula reconheceu o mérito de Dilma Rousseff a partir da “capacidade da ministra em coordenar programas de governo que fizeram com que ele a escolhesse para ser a sua sucessora”.
Na avaliação do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Dilma Rousseff é “uma figura de silicone sendo moldada à imagem e semelhança do presidente Lula”. A própria ministra, segundo ele, “não tem estrutura política para se apresentar a nação para defender qualquer programa que seja de governo”.
Já o senador João Pedro (PT-AM) disse que o Brasil “avançou nos últimos anos” e que Dilma não é “fruto da mídia”, mas uma “mulher pública competente”.
Para o senador Antônio Carlos Júnior (DEM-BA), “nunca se viu no país tanta mentira e tanto cinismo”.
Para o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o governo promove uma “antecipação de campanha desbragada e inaugura até canteiro de obra”.
- Vivemos em um clube da falsa felicidade – afirmou, ressaltando a existência de obras inacabadas no Piauí.
Para a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT, as críticas da oposição à Dilma Rousseff indicariam a existência de preconceito contra a mulher.
- Eu diria que nossa ministra tem luz própria, e uma luz com muito brilho. Talvez seja esse brilho que está ofuscando a gente de enxergar muita coisa de valor que a ministra vem fazendo no país – afirmou.
Na avaliação da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), o Brasil não pode ser o país do “vale-tudo”. Já o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) disse que há “manipulação em todas as obras” pelo governo e que a presença ultimamente constante de Dilma Rousseff em Minas Gerais “anda forçando uma identidade que não se justifica a não ser por uma eleição”.
“Coisa de marqueteiro”
Para o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), “a história de preconceito contra a mulher é ridícula” e toda a discussão sobre os avanços dos governos Lula e FHC é “coisa de marqueteiro”, com o objetivo de evitar a comparação inevitável entre os candidatos à presidência da República e seus projetos para o país.
- É uma discussão política rasteira. O PSDB não corre um centímetro da defesa do valor da importância do trabalho de grande qualidade de FHC – afirmou.
O líder do DEM, senador José Agripino (RN) disse que não ia negar os méritos do atual governo, entre eles o de melhorar a renda da população, mas ressaltou que o combate à inflação foi obtido em função do equilíbrio fiscal praticado pela União, do câmbio flutuante do Banco Central e da Lei de Responsabilidade Fiscal, todas essas medidas implantadas no governo FHC. Agripino afirmou ainda que houve piora nos índices sociais do governo Lula, ao contrário do que se divulga.
O senador Marconi Perillo (PSDB-GO) disse ter orgulho das administrações estaduais do PSDB e que o partido não teme comparações com o governo Lula.
- Temos argumento de sobra, embora o nosso objetivo seja debater o futuro, sem utilizar demagogia barata, cinismo – afirmou, ressaltando que o governo Lula foi beneficiado pela conjuntura internacional favorável havida nos últimos anos.
Em aparte ao discurso de Perillo, o senador Gilberto Goellner (DEM-MT) disse que o PAC, que prevê diversas obras de infraestrutura em todas as regiões do país, até agora “não mostrou a cara no Mato Grosso”.
Da Redação / Agência Senado
-12.970382
-38.512382